Projeto para policiais: “Se você morrer ou ficar aleijado, o governo não tira metade do seu salário”

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Eufemismo, em rápido conceito, é uma figura de linguagem que tem como função “suavizar uma palavra ou expressão que possa ser rude ou desagradável”. Ou, num linguajar bem usual do dialeto paraibano, pode-se definir como “tapear a gente com conversa bonita”.

É mais ou menos isso o que está fervilhando nos bastidores dos presídios, delegacias e batalhões da Paraíba, com a divulgação de um projeto que ‘presenteia’ o agente de segurança paraibano, se – SE! – ele ficar inválido (aleijado, se preferirem). E o presente é “não retirar mais de 40% do seu salário, caso esse combatente consiga se aposentar por invalidez”. Se esse sujeito morrer EM SERVIÇO, aí o grande benefício fica com a família, claro.

Para a esmagadora maioria dos profissionais de segurança pública – que, felizmente, não tem o infortúnio de terminar seus dias sem os movimentos normas –, a situação fica do jeito que está: mais de 40% a menos no seu salário, quando completar suas três décadas ou mais de serviços prestados ao Estado.

O tal projeto está sendo disseminado nos meios midiáticos como “fruto de uma exaustiva negociação com o governo”, mas para os tímpanos de quem capta as ondas sonoras nos bastidores da segurança, o ‘presente’ não está convencendo o público alvo do agrado.

Ora, de acordo com a Associação dos Policiais Civis de Carreira da Paraíba (Aspol), um levantamento mostra que 18 dos 27 estados brasileiros já garantem salário integral aos seus policiais quando estes se aposentam, sem precisar que eles morram ou terminem os dias em cadeiras de rodas. É o reconhecimento a quem conseguiu escapar ‘ileso’, combatendo o crime no país que mais mata no planeta, em números absolutos.

E as unidades federativas que ainda retiram do já sofrido salário desses profissionais, a ‘facada’ nem sempre chega aos 42% de perda, como acontece na Paraíba.  Assim sendo, a proposta que se dissemina no nosso estado vem tarde e ‘manca de duas pernas’.

Na verdade, segundo a Aspol, o pagamento do subsídio (valor integral) aos policiais já é lei neste Sublime Torrão e vem sendo incansavelmente cobrado pela entidade há anos. Exaustivamente. Então, que tal um Projeto de Lei exigindo que se cumpra a lei?

Não dá mais para enganar a quem, por exigência de concursos públicos, estuda ao menos para saber o que é um Eufemismo.