Os policiais federais e cinco fatores que contribuem para mortes como a do segurança ‘Fabão’

0
1450

A Paraíba assiste consternada à morte do segurança Fábio Laves de Lima, 38 anos, que tentou impedir um assalto a uma mulher, no Bairro dos Estados, em João Pessoa, na sexta-feira, 1º de setembro. ‘Fabão’, como era conhecido, trabalhava como segurança da escola onde a mulher foi abordada por dois assaltantes, assim que saiu do carro com a filha. O segurança viu a situação e, mesmo desarmado, entrou em luta corporal com um dos bandidos. Foi alvejado e socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

O caso, claro, ganhou repercussão. E com ela, as inúmeras opiniões sobre “os erros” que contribuíram para um desfecho que virou rotina no país campeão mundial em números absolutos de homicídios. Façamos, pois, a nossa leitura sobre o fato:

1 – OS ASSASSINOS

O primeiro dedo a se apontar deve ser em direção aos assassinos. Não adianta desenharmos um livro imenso sobre todas as “questões sociológicas que resultam na violência e etc. e tal”, porque no seio da população mais pobre apenas uma minoria comete crimes dessa natureza. Cada caso é um caso. Quem mata nessas circunstâncias transcende à condição de pobreza.

2 – O GESTOR/LEGISLADOR

Parece razoável dizermos que nos últimos 15 ou 20 anos, o Brasil deu um salto em políticas sociais. Apesar dos pesares, a saúde, o emprego e a educação têm chegado a mais pessoas do que em outrora. Mas se é justamente isso – política social – a grande arma contra o crime, por que a violência aumentou tanto neste mesmo período? O que explica? Está na cara que gestores e legisladores fecharam os olhos para a Segurança.

3 – “SEGURANÇA?”

O Estado, na sua concepção macro, deveria ao menos esclarecer ao povo sobre o que é SEGURANÇA. Nem isso o faz. Se os proprietários daquela escola quase cenário do crime em João Pessoa soubessem a inutilidade que é “segurança com um homem desarmado no país que MAIS MATA no mundo”, certamente não apostaria nesse suicídio inconsciente. A gente brinca de segurança.

4 – AUTOCRÍTICA

Quando dizemos “a gente”, é no sentido literal mesmo. O próprio Fabão, na melhor das intenções de salvar uma mulher e uma criança do perigo que avistara, correu [desarmado] para cima dos bandidos e apostou na sorte. Abandonou os protocolos de segurança enfatizados em letras garrafais nas academias de ensino. Até mesmo os policiais fazem isso todos os dias, sob a alegação de que “se formos esperar pelas condições ideias, o serviço não anda”. Andemos, então, agora, a passos lentos, carregando o corpo de Fabão ao seu túmulo…

5 – O “CANTO DA SEREIA”

Há exatos dois anos, em setembro de 2015, um homem armado fez uma mulher refém na Praça da Sé, em São Paulo.  A polícia chegou e cercou a área. Não havia como fugir. Era aplicar os protocolos de segurança para o caso e deixar a polícia trabalhar. Mas eis que surge um morador de rua e, por conta própria, ultrapassa os limites estabelecidos pela policia, invade a cena do crime, empurra [inutilmente] o criminoso, é baleado e causa a ira do bandido, que sai atirando a esmo. Só parou com os disparos efetuados pela polícia.  E o que a mídia fez? Tratou o segundo causador do tumulto (já que o primeiro foi o bandido) como “herói da Praça da Sé”. Brincamos com a segurança!

Se quisermos mesmo, todos nós – policiais, seguranças e midiáticos –, praticar um verdadeiro ato de heroísmo, façamos como a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), que está prometendo GARANTIR A SEGURANÇA de quem for às ruas protestar (civilizadamente, óbvio) contra os mandos e desmandos que faz do Brasil o país que mais mata no mundo.  A quase ‘convocação’ está sendo disseminada pela Fenapef na internet.

A coragem de Fabão e dos milhares de profissionais da Segurança Pública e privada no Brasil tem sido insuficiente para a Segurança que pretendemos.