Mais um cidadão assassinado na terra onde a regra dos direitos é ‘não ter’

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Não ter. Não ter o direito de sacar um dinheiro num caixa eletrônico porque a agência – mais uma – foi implodida. O transtorno que vai dia a dia destruindo a economia de dezenas de cidades virou rotina e não apresenta perspectivas de solução.

Não ter o direito de trabalhar. Nem de empregado nem de empregador. Uma hora, alguém invade seu local de trabalho e atira na cabeça de quem reagir, como apontam os primeiros indícios do crime que afastou para sempre o optometrista Moacir Olímpio de sua família, bem no Centro de Campina Grande. Em outras tantas ocasiões, entregadores de pizza (ou de medicamentos; ou de encomendas; ou de etc.) perdem, sob a mira de armas, o único veículo que têm para garantir o sustento. Seja nos confins de uma estrada de terra na zona rural, seja a 50 metros da Central de Polícia.

Não ter o direito nem de comprar nem de vender. Nos chamados ‘arrastões’ da vida, inúmeros estabelecimentos são invadidos por um, dois, três, cinco assaltantes, que não poupam ninguém no ambiente. Nem cliente nem funcionário. De tão repetidas que estão essas ações criminosas, fornecedores e consumidores são consumidos pelo medo, e muita gente está abrindo mão do seu direito de labuta e diversão.

Não ter o direito de estudar em paz. Quando o aluno-vítima não é surpreendido na própria sala de aula, como já aconteceu em escolas públicas e em cursos preparatórios, torna-se um alvo impotente nos pontos de ônibus da vida, ou até mesmo já dentro do coletivo. O Estado não consegue impor barreiras para o crime.

Em busca de mais ‘segurança’, muita gente opta por se deslocar em seus próprios veículos. Mas… Em vão. Há muito que o roubo de carros e motos ‘estourou’ em Campina Grande, e esse quase-direito de locomoção independente está se perdendo por completo nesta cidade.

O exemplo mais recente – e trágico – aconteceu na noite desse sábado, no bairro do José Pinheiro, quando uma jovem chegava em casa com seu veículo. Dois bandidos a abordaram bem na frente da residência e anunciaram o assalto. O pai da vítima, o aposentado José Belarmino Ricarte, estranhou o barulho lá fora e foi verificar o que estava acontecendo. Alvejado com um tiro, não resistiu. Não teve o direito sequer de proteger a filha.

Caso concorde com o texto, compartilhe. Antes que nos roubem até o nosso direito de O-P-I-N-I-Ã-O…