Investigadores se unem para ajudar dois policiais vítimas de ‘tratamento desigual’ na Polícia Civil da Paraíba

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Você já deve ter escutado por aí que “seu direito começa na delegacia”, numa alusão aos primeiros trâmites que, em tese, vão preencher o sentimento de justiça ao cidadão lesado. Mas para a Associação dos Policiais Civis de Carreira da Paraíba (ASPOL/PB), a frase de efeito está longe de refletir sua plenitude. Pior: é exatamente dentro dela – da delegacia – que a balança do Direito estaria pendendo para um lado.

É o que se presume com a nova campanha realizada pela Aspol, tendo como objetivo amenizar a perda salarial de dois Investigadores Criminais. Motivo? Em dezembro de 2017, a Associação encabeçou um dia de paralisação em frente às delegacias, como forma de chamar atenção para a falta de equipamentos básicos na corporação (como coletes balísticos, por exemplo), além de lamentar “o estado que paga o pior salário aos policiais civis no Brasil”, dentre outras dificuldades enfrentadas pelos policiais.

Apesar de, segundo a Aspol, aquelas míseras 24 horas de movimento terem sido programadas dentro das exigências legais, mais de 100 policiais que participaram da ação foram punidos “sem qualquer critério legal”, tendo como punição um dia de falta e, consequentemente, algo em torno de R$ 120,00 descontados no salário.

E para dois desses Investigadores, a sentença foi ainda mais pesada: um mês de suspensão, o que significa metade do salário a menos no contracheque de setembro. Para quem já recebe a pior remuneração do país, a vingança impacta como um tiro em um corpo sem proteção torácica.

Como forma de sanar essa dor – isso mesmo, os dois Investigadores não amargarão esse prejuízo financeiro –, a Aspol está organizando com os associados e amigos a realização de uma ‘rifa’. A cartela custa apenas R$ 10,00 (dez reais), cujo montante servirá para completar o desfalque no salário dos dois policiais ‘condenados’.

Por que ‘desigual’?

Segundo a Aspol, essa punição específica no bolso dos Investigadores se deu por causa de um atrito envolvendo esses dois policiais e um delegado, dentro de uma delegacia em Campina Grande. Um vídeo que registrou o bate-boca seria a prova de que o ‘superior hierárquico’ também agrediu os Investigadores, porém o ‘chefe’ não teria sido alcançado pela sentença que tentou deixar os policiais ainda mais pobres este mês.

Uma vez confirmada a versão da Aspol, é de se concluir que “seu direito pode passar longe de uma delegacia”.