Dez perguntas sobre a tentativa de resgate em Campina Grande

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Um grupo de bandidos tentou resgatar um apenado do Presídio Serrotão, em Campina Grande, na manhã desta segunda-feira, 25 de junho, durante uma escolta até uma clínica particular no bairro da Prata. Os agentes penitenciários foram surpreendidos quando estacionavam a viatura e trocaram tiros com os bandidos, que fugiram sem conseguir levar o detento. Mas um vigilante que estava em uma guarita na entrada da clínica acabou baleado na cabeça e não resistiu ao ferimento.

Diante da situação não comum – mas previsível –, elencamos ao menos dez fatores que a sociedade aqui fora procura entender, mas não consegue.

1 – Como os comparsas sabiam que o preso sairia do presídio?

Nossas escolas não são de primeiro mundo. Nossos hospitais também não. O que dizer das prisões? O aparelho celular entra e vai continuar entrando nos presídios, enquanto o poder público não investir o suficiente para impedir essa entrada.

2 – O número de agentes na escolta foi o suficiente?

Não existe um “número ideal”. O que tem de se fazer é analisar as possibilidades de o detento escoltado ter influência no mundo do crime a ponto de mobilizar uma ação tão arriscada que é um resgate. E isso só é possível com um bom serviço de inteligência. No entanto, por óbvio, quanto mais agentes numa escolta, mais segura ela será.

3 – Os bandidos querem o confronto?

Geralmente não. Não faz sentido ficar trocando tiro em via pública para resgatar um preso. Em cinco ou dez minutos chegará reforço policial, e isso não é bom para os criminosos. Por isso que eles só agem quando a escolta é fragilizada, em relação ao preso escoltado.

4 – No caso de hoje, os bandidos foram para matar?

Provavelmente não. Apostamos mais na hipótese de eles terem acreditado que os agentes se renderiam, ao serem pegos de surpresa. Como os policiais penais abriram fogo, o grupo bateu em retirada, o que reforça a tese de que os bandidos têm medo do confronto. Mas claro: jamais subestimar!

5 – Por que presos têm ‘prioridade’ nos atendimentos em hospitais?

O episódio de hoje é um exemplo. Quanto mais tempo a escolta esperar com o preso, mais chances de acontecer um resgate ou tentativa de fuga. E numa dessas, alguém pode se ferir ou até morrer.

6 – Qual a possibilidade de acabar com essas saídas de presos para atendimentos de saúde fora da cadeia?

Praticamente zero. Muitos exames de saúde só são realizados em clínicas particulares e unidades hospitalares. E não há como construir um hospital dentro do presídio. Portanto, os presos vão continuar saindo.

7 – São comuns os casos de resgates de presos?

Nos últimos anos, não. Em Campina Grande, por exemplo, o caso mais recente (anterior ao de hoje) aconteceu em 2010, quando um detento da antiga Casa de Detenção do Monte Santo (atualmente casa de Albergue) foi resgatado durante um atendimento odontológico no posto de saúde da Palmeira. Ninguém se feriu, mas os agentes foram ameaçados o tempo inteiro e tiveram suas armas roubadas.

8 – O que acontecerá agora com o preso que seria resgatado?

Provavelmente, será transferido para uma penitenciária ‘mais segura’ em João Pessoa, onde, pelos mesmos motivos, terá acesso a aparelhos celulares.

9 – Como é entram telefones celulares em presídios?

Na verdade, a pergunta deveria ser “como é que NÃO entra?”. E a resposta, o próprio leitor pode encontrar fazendo uma pesquisa do tipo “Penitenciárias Federais”, na internet. Lá se mostra como NÃO entram telefones nas unidades prisionais.

10 – Investir no sistema penitenciário melhora a segurança pública?

De acordo com alguns estudos, a maioria dos crimes graves aqui fora tem relação direta com quem está preso. É preciso mudar algumas leis e fortalecer o sistema prisional. O Estado precisa mandar, de fato, nas cadeias.