Ainda bem que amanhã estarás de olhos fechados…

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Prezado Tenente Erivaldo Moneta, o PARAÍBA EM QAP vai com nove anos de ‘estrada’ e sacrifica os pulmões à procura de palavras que porventura venham ajudar a mudar o quadro de violência que se instalou neste estado. Em vão. Já são tantos mortos… Tantas vítimas… Tantas famílias desamparadas… Tantos textos… Tantas lamentações… É difícil, nobre Tenente.

Quando lançamos os primeiros textos por meio deste site na internet, no inesquecível Agosto de 2009, tínhamos como ‘foco’ os ângulos da vida policial menos explorados pela imprensa: as nossas dificuldades; as nossas necessidades; os nossos desafios; os esforços por conta própria; o dinheiro tirado do bolso para fazer essa máquina ‘funcionar’; as grandes ações policiais que por vezes passam despercebidas… Tínhamos um sonho, bravo combatente.

Mas eis que no caminho, surgem os pesadelos que somos forçados a publicar. Acompanhamos de perto muitas deles. Ouvimos o choro dos mais feridos e por vezes não suportamos também o peso das lágrimas. As sirenes do cortejo… As munições de festim… As merecidas honras militares… Já são tantas, Moneta!

Não bastasse a dor do luto, manifestam-se ainda os sinais da hipocrisia de sempre. A presença [politiqueira] no velório para se fazer de ‘sentido’; os discursos repetidos e vazios; as tapinhas nas costas dos que sobrevivem; as mentiras sopradas à mídia para camuflar o caos vigente; as promessas de num futuro breve honrar os compromissos nunca – jamais! – respeitados. Tem sido sempre assim, irmão de luta.

E infelizmente, nesta terça-feira 11 de setembro de 2018, os agentes de segurança pública da Paraíba terão o desgosto de mais uma vez presenciar cada detalhe descrito acima, enquanto tua matéria nos dá a honra das últimas horas entre nós. É duro ter que dizer isso, Tenente.

Mas sossega, Erivaldo Moneta. Amanhã, para a nossa infelicidade, tu estarás de olhos fechados. Deixa que a gente se encarrega de tolerar – mais uma vez – a repugnância desse cenário que insiste em nos atormentar há quase dez anos.

Vai em paz.