Sexta-Feira, 23 de Junho de 2017

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Publicada em 12/01/2017 | Autor: QAP

“SÓ INTERROMPENDO...”: A repercussão da entrevista concedida pelo coronel João da Matta em Campina
“SÓ INTERROMPENDO...”: A repercussão da entrevista concedida pelo coronel João da Matta em Campina

O comandante do Policiamento Regional I (CPR-I) da Polícia Militar, coronel João da Matta, concedeu uma entrevista ao vivo na tarde desta quinta-feira, 12 de janeiro, que está rendendo discussões nos grupos de internet.

Um dos pontos da pauta foram os 08 homicídios registrados nos primeiros 11 dias do ano em Campina Grande, número considerado ‘alto’ pela emissora, que, em 06 minutos, acabou interrompendo a fala do coronel 06 vezes.

1 – O oficial foi questionado sobre as ‘estratégias’ [?] e informações que a polícia tem a respeito dos assassinatos. O coronel respondeu que são as mesmas estratégias responsáveis por deslocar a Paraíba da 2ª para a 15ª posição no ranking dos estados mais violentos do país. E que a Paraíba é o 2º estado que mais reduz homicídios no Nordeste. A resposta foi estancada aí por causa da primeira interrupção sofrida.

2 – A segunda pergunta da emissora foi acerca dos “casos específicos” (as oito mortes em 11 dias, em especial a mais recente, no bairro do Pedregal). “O que é que se tem de concreto?” João da Matta foi cirúrgico e respondeu que, de concreto, vislumbramos uma sociedade violenta fruto de uma família desestruturada, cujos desajustes resultam, não raro, no envolvimento de jovens no mundo das drogas. E já que o assunto almejado era “números e Pedregal”, o comandante lembrou que aquele mesmo bairro já foi palco de 17 mortes em 15 dias, em outros tempos. A conversa estava boa, pautada nas estatísticas (ciência!), mas o coronel foi interrompido pela segunda vez, com a pergunta “Ninguém foi preso até agora, não é?”

3 – Respondendo, João da Matta disse – com o equilíbrio que lhe é peculiar – que esse papel é da Polícia Civil. Ele pretendia falar sobre dados científicos novamente, mas... Veio a terceira interrupção. Desta vez, o coronel foi obrigado a fazer um pedido: “Você pode me deixar falar por gentileza?”

4 – João da Matta teve o pedido atendido e prosseguiu o raciocínio, lembrando que o estado da Paraíba apresenta um índice de elucidação de homicídios superior a 50%, um número bem alto, diante da disseminada vergonha nacional que pontua 7% de elucidação desses crimes.

5 – A pauta, agora, é a tentativa de furto na agência do Banco do Brasil no bairro da Liberdade. Surgiram rumores de que um (UM!) policial teria presenciado a ação dos bandidos e “não fez nada para evitar o crime”. A emissora queria saber se o policial agiu corretamente, e o coronel respondeu que não existe informação oficial de que um (UM!) policial teria visto a quadrilha de assaltantes no momento da explosão dos caixas. Novamente tentando falar sobre fatos concretos, João da Matta queria mostrar, através das imagens de monitoramento, que a Polícia Militar se dirigiu rápido até o local. Mas... Foi interrompido. E desta vez, com a própria fala da repórter dizendo “Só interrompendo...”

6 – O coronel foi novamente ‘bloqueado’ para responder se, caso o policial [sozinho] tivesse visualizado a ação da quadrilha de assaltantes de banco, ele teria esse direito de “não fazer nada”. O PARAÍBA EM QAP vai deixar esse questionamento para que o leitor faça seu próprio juízo de valor.


SEIS MINUTOS

É claro que a imprensa deve ser livre para perguntar o que quiser e da forma como bem entende. Mas essa liberdade deve ser estendida a quem está sendo entrevistado. No caso do coronel, ele não se distanciou um milímetro sequer das perguntas formuladas. Apenas saiu da mesmice que não informa absolutamente nada aos telespectadores. Em seis minutos, João da Matta comparou estatísticas passadas e atuais, explicou a ocorrência do banco com base em imagens de câmeras, pontuou a população acerca do posicionamento paraibano no ranking nacional de violência, despertou a reflexão sobre as ruínas em que se transformou a entidade ‘família’ no Brasil e lembrou que quem deve investigar homicídios é a Polícia Civil. Isso tudo em seis minutos e sendo interrompido por seis vezes.

MUITO TEMPO

A forma pouco recorrente como o comandante discutiu segurança pública nos meios de comunicação da Paraíba é que soou estranho para quem tem pouca/nenhuma opção de se informar, de verdade, sobre o assunto em tela.

É por isso que a entrevista de João da Matta continua rendendo. Talvez por um bom tempo...


Foto: divulgação/internet




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