Sexta-Feira, 23 de Junho de 2017

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Publicada em 23/10/2016 | Autor: QAP

O exemplo do Maracanã e do juiz que mandou prender um policial civil na Paraíba
O exemplo do Maracanã e do juiz que mandou prender um policial civil na Paraíba

Na última quinta-feira, 20 de outubro, um juiz da cidade de Sousa (PB) mandou prender um policial civil que recebeu do magistrado a ordem de entregar sua arma a terceiros antes de entrar na sala de audiência, mas se negou a cumprir a determinação. Foi preso e ‘ponto final’.

A decisão do juiz, claro, ganhou repercussão em todo o estado. No seio da Segurança Pública a reação foi, naturalmente, mais veemente. A Associação dos Policiais Civis de Carreira da Paraíba (Aspol) emitiu uma nota repudiando a atitude do juiz. Nos corredores das delegacias, a grita foi maior do que se imagina.

Pensando cá com nossos botões, chegamos à conclusão de que a autoridade de toga agiu certo. Deveria servir de ‘exemplo’, em vez de ser criticado. Leia de novo para não esquecer: deveria servir de EXEMPLO.

A determinação do juiz teria como base argumentativa questões de ‘segurança’. De forma bem resumida, o raciocínio é de que “uma pessoa armada dentro da sala de um magistrado pode não suportar a pressão de uma decisão judicial e... pow! Atirar no tão importante membro da Justiça”.

Em outras palavras, o capa preta quer apenas cumprir seu mister com o máximo de segurança possível. Só isso. E deixou bem claro que, se alguém o impedir, ele toma as providências cabíveis.

LEMBRE-SE: E-X-E-M-P-L-O-!

No nosso humilde pensar, os profissionais da Segurança Pública deste país deveriam era andar com esse ‘caso’ no bolso. E na memória. São diuturnamente mandados a cumprir missões impossíveis, com efetivos insuficientes, coletes balísticos vencidos, armas de qualidade duvidosa, um sistema jurídico altamente pró-bandido e... Simplesmente aceitam tudo numa boa.

Recebem um salário que, não raro, traduz-se numa moradia na mesma rua onde moram assaltantes, traficantes e outros vizinhos não muito satisfeitos com o ilustre morador. E nessa convivência [diária] forçada, o policial ou se corrompe, ou se omite ou vai pra guerra. Qual dessas três alternativas ficaria bem para você, leitor?

Quando matam, os policiais esgotam sua quase inexistente reserva de dinheiro para provar algo de bom ao juiz, que está seguro em seu gabinete longe de armas. Quando morrem, a poesia bem incutida na mente dos que sobrevivem entra em ação: “é o risco da profissão”. O resto é status quo.

O EXEMPLO DA FOTO

A imagem que ilustra este artigo (Flamengo x Corinthians no Maracanã, hoje) é apenas só mais um exemplo. Sabe-se lá com base em que “garantia de segurança”, alguém superpoderoso mandou dizer que policiais não podem trabalhar armados em estádios de futebol, num jogo de comprovado risco de brigas entre torcidas, num país que já perdeu a autoridade há tempo.

Munidos apenas com um pedaço de pau, os homens da lei – que deveriam garantir a segurança – foram cercados e espancados por dezenas de ‘torcedores’. Protegidos somente por seus bonés brancos da paz, uma pedrada ou paulada bem aplicada costuma deixar sequelas irreparáveis, quando não letais.

O PARAÍBA EM QAP lamenta profundamente o vexame sofrido pelo policial civil de Sousa (PB), mas não consegue lutar contra sua própria consciência. Na pior das hipóteses, o juiz do caso em tela está fazendo de tudo para cumprir seu dever nas melhores condições de segurança possível.

Preferimos adotar o caso como EXEMPLO. Quando é que iremos dar o nosso ‘ponto final’?  




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