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Publicada em 28/04/2016 | Autor: QAP

Cinco motivos para as polícias entrarem em greve no Brasil
Cinco motivos para as polícias entrarem em greve no Brasil

A população pernambucana multiplicou sua sensação de insegurança nas últimas 48 horas, com a informação de uma possível greve na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros daquele estado. Os militares se reuniram em assembleia, a possibilidade de paralisação na categoria ganhou as redes sociais, o comércio fechou as portas mais cedo em vários pontos de Recife e as cenas de uma terra sem lei vieram à tona na memória dos pernambucanos, resgatadas de maio/2014.

Na noite dessa quarta-feira, 27 de abril, líderes do movimento se reuniram com representantes do governo para negociarem algumas ‘melhorias’ e darem um basta na possibilidade de um novo período de pânico no estado vizinho. De acordo com o portal NE10, a categoria aceitou as propostas oferecidas (na nossa opinião uma ‘esmola’) e voltou ao clima de normalidade.

Chamamos de ‘esmola’ não pelos valores negociados (na verdade, nem calculamos os ganhos reais da PM-PE neste novo pleito), mas pelas ‘moedas de troca’ barganhadas toda vez que as forças de segurança resolvem cruzar os braços neste país. As polícias do Brasil – não apenas as de Pernambuco – deveriam encampar outras lutas tão ou mais importantes (a nosso ver) do que duas ou três notas de cem reais a mais no contracheque, o máximo que se obtém em greves de muitos estados por aí.

1 – LEGISLAÇÃO

Está mais do que comprovada a ineficácia das nossas leis, em determinados pontos da legislação. Não é à toa que a expressão “enxugar gelo” ecoa no país inteiro. Faz vergonha – e chega a ser depressivo – conversar com policiais de outros países, sejam essas nações desenvolvidas ou não.  Vivemos reclamando à toa nos corredores de delegacias e batalhões sobre tal situação, mas quando pensamos em fazer uma greve, apenas uma ideia vem à cabeça: duas ou três notas de cem reais no contracheque.

2 - SISTEMA PRISIONAL

O país vive um caos no sistema penitenciário, e os governos não se apresentam muitos dispostos a resolver o problema, pois, além de construir novos presídios, devem fazer com que as cadeias representem um lugar de cumprimento de pena com qualidade. Não adianta “prender por prender”. É preciso prender e prender bem. ‘Recuperar’ os que mostrarem interesse e punir, de verdade, a parcela de presos que insiste em viver do crime. Tudo isso está umbilicalmente ligado à existência de um ser chamado ‘policial’, e nós só nos preocupamos com duas ou três notas de cem a mais no fim do mês.

3 - INVESTIR NO SOCIAL

Pobreza não é justificativa para o crime. Excetuando os casos extremos, optar pela via criminosa é uma decisão própria; opcional. Mas todo policial minimamente racional sabe que as maiores taxas de violência estão nos ambientes mais abandonados pelo poder público. Até na hora de uma incursão, os becos imundos das comunidades pobres ajudam a MATAR os policiais, por causa do território enigmático que favorece a reação dos bandidos. Mas nós só nos preocupamos com uma quantia em dinheiro que vai embora na parcela de um carro popular ano 2009.

4 - “LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL”

Se alguém acredita que o problema do Brasil está nos ‘limites’ da Lei de Responsabilidade Fiscal, então inclua na pauta de reivindicações a reformulação da LRF. Porque não existe segurança sem polícia [equipada] nas ruas. As corporações policiais precisam de mais efetivo atuando diuturnamente. Na prevenção e na repressão. A prova cabal disso está numa estratégia denominada “serviço extra”, no qual o policial vende suas horas de folga (por outra ‘esmola’) para ajudar o Estado a fazer de conta que existe polícia nas ruas. E nós acreditamos que duzentas/trezentas notas de R$ 1,00 resolvem essa injustiça.

5 - Salário JUSTO

Sim, é óbvio que a pauta salarial deve estar presente no rol de reivindicações dos profissionais de Segurança Pública. Está estampado em publicações do Ministério da Justiça que “Segurança Pública é a maior preocupação do brasileiro”, na atualidade. Deve, portanto, ter o tratamento que merece. “Ser executado tão somente por causa da profissão que escolheu” é a sina do policial no Brasil. Médico, professor, jornalista, motorista de ônibus, POLÍTICO... Nenhum desses profissionais é executado quando um bandido descobre sua identificação funcional. O policial é. A recompensa salarial, portanto, deve ser à altura de tudo isso. Mas nós não temos conseguido passar muito das 30 notas de R$ 10,00 por mês, quando resolvemos fazer ‘greve’.

RESUMO

Nem quebramos o avanço da violência no país, com medidas efetivas de prevenção e punição severa a quem fizer por merecê-las, nem resolvemos os nossos problemas pessoais, advindos da eterna injustiça salarial a que somos submetidos.

Seguimos com a suave sensação que se resume à expressão “melhor do que nada”.

Francamente...

 

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