Sexta-Feira, 23 de Junho de 2017

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Publicada em 26/07/2016 | Autor: QAP

‘CASO BESSA’: Por que a polícia não entrou em confronto com os assaltantes?
‘CASO BESSA’: Por que a polícia não entrou em confronto com os assaltantes?

Um policial está de folga num parque, é abordado por dois assaltantes, reage, mata os dois bandidos e, em reportagem sobre o caso, o jornalista ‘detona’ o agente de segurança, chamando-o de “despreparado”, já que os tiros poderiam acertar outras pessoas no local. O vídeo sobre o episódio (que aconteceu em 2012 na Bahia) ainda repercute na internet.

No inesquecível fevereiro de 2011, quando da partida Treze x São Paulo, no estádio O Amigão, em Campina Grande, policiais civis foram encurralados por “cidadãos de bem de torcidas organizadas” e efetuaram disparos para o alto. Boa parcela da imprensa reprovou a ação dos policiais, “pois os projéteis poderiam atingir outras pessoas”. As cenas foram manchete [negativa] nacional.

Ainda em Campina Grande, quando não raro policiais de folga precisam atirar em pleno Parque do Povo (local de muita movimentação durante os festejos juninos), não falta quem pergunte “policial de folga deveria entrar armado no ambiente?” A preocupação, claro, é que outras pessoas sejam atingidas por esses disparos.

Exemplos não faltam. Na Paraíba e no Brasil. Só que na madrugada desse sábado, 23 de julho de 2016, uma quadrilha especializada em ‘estouro’ a bancos – e, consequentemente, fortemente armada – passou cerca de 40 minutos tocando o terror no bairro do Bessa, em João Pessoa, para garantir mais uma  investida exitosa nessa modalidade de crime.

Fez barricada na avenida, rendeu motoristas, disparou várias vezes para o alto. E a polícia não apareceu por perto. O Comando-Geral da PM alega que “a polícia tomou conhecimento a tempo do ataque, mas preferiu evitar a troca de tiros”, justamente para que moradores da área não fossem alcançados pelos potentes projeteis de fuzil, que atravessam paredes como uma faca na manteiga. Afinal, o campo de batalha era em pleno centro urbano.

Só que, desta vez, boa parte da imprensa reproduz o tom de ‘repúdio’ à ausência dos policiais para o confronto com os bandidos, mesmo sabendo (será?) dos riscos que é a guerra com o uso desse calibre.

AS DIFERENÇAS

No tal parque baiano, o policial reagiu porque se viu ameaçado. Poderia morrer ali também. No estádio ‘O Amigão’, idem. As imagens que ainda se mantêm na internet são claras. Nas ocorrências do Parque do Povo, quase sempre os disparos são inevitáveis. Mas no caso do Bessa, a polícia poderia evitar o derramamento de sangue inocente. E evitou.

OS EXEMPLOS

Foi o poder destrutivo e ‘descontrolado’ do fuzil que fez o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Beltrame, determinar a retirada dessas armas das operações nos morros. A decisão – que de certa forma é absurda e exige uma discussão mais ampla – repercutiu mal, e o secretário desistiu da ideia. Claro. Ou a polícia entra com fuzil ou simplesmente não entra.

A [DES]IMPORTÂNCIA

O problema é que nas favelas do RJ, onde “80% das vítimas de bala perdida são atingidas por estilhaços de tiros de fuzil” (diz Beltrame), só mora – e morre – pobre. Já o bairro do Bessa, para quem não sabe, é tido como um dos mais economicamente ‘nobres’ de João Pessoa. Não se iluda: uma ou mais mortes inocentes decorrentes desse confronto cairia na conta da PM.

O SER HUMANO

E ainda tem a própria vida do policial. Um tiro de fuzil faz um rombo numa parede de concreto (vide foto). Imagine, então, o estrago que provoca no corpo humano, mesmo fantasiosamente “protegido” por coletes balísticos. Um eventual confronto com assaltantes de banco sem as condições favoráveis para o planejamento da operação é quase certo resultar em morte de policiais. E perdoe-nos a sinceridade, mas o tratamento dado aos profissionais de segurança deste país nos permite dizer que “não vale a pena esse risco”.

PODE OU NÃO PODE?

Na Paraíba falta, sim, efetivo policial, valorização dos profissionais e um plano de Segurança Pública eficiente, embora saibamos que as polícias sozinhas jamais trarão a paz que se espera. Mas cada caso é um caso. E considerando-se os exemplos citados, constata-se que “quando a vida do policial está em risco, ele é duramente criticado quando resolve atirar”.

É o que se extrai de boa parte da imprensa.  




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